O Conto tão BOM que ficou MAU.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Foi tão difícil e tão fácil o nosso encontro.

Depois de algumas horas a finco chorando, eu não consegui imaginar terminar a noite assim. Fui onde deveria ir, dancei, cantei, foi tão mágico o momento. Não, não foi nada disso, apenas aconteceu. E as melhores coisas não acontecem assim? Sem esperar?

Eu queria parar no posto aquele dia, de qualquer forma, de qualquer maneira. Veio na minha cabeça chocolates, chocolates, mal eu sabia q tudo isso tinha um propósito.

Sei que algumas palavras são viagens, sei que às vezes, grandes bobagens, mas sempre espero encontrar o meu príncipe encantado. E ele desceu de um fiesta preto no posto. Eu abri a porta da loja de conveniência para ele entrar, bêbado, pra lá de Bagdá, nem me notou.

Ele era lindo, branco com cabelos bem fininhos, raspadinhos, preto, bem pretinhos. Olhos expressivos. Uma sombrancelha tão bem feita, que faria inveja à esteticista. Ele era sem dúvida um composto perfeito. Não era tão alto, muito menos baixo, era mais alto do que médio, o corpo proporcional à sua beleza toda. Tinha no rosto, traços leves que parecia espanhol, talvez turco, talvez árabe.

Então, o amigo dele também saiu do carro e olhou diretamente para mim. As amigas ficaram perto sentamos todos juntos. Do som do carro veio a pergunta:”que som é esse?” perguntei para mim mesma e de tão alto que o amigo respondeu: “bom, né?” E veio com a gente.

O meu príncipe bêbado, à nós uniu, e nas conversas subjetivas, transtornou o posto todo. Incomodou os frentistas, intimidou as amigas, perturbou à todos com suas piadas pervertidas, só  à mim, encantou.

Como poderia eu, achar graça num tipo assim? Mas graça se fez aos meus olhos, e inflamou meu coração. Menino que falava ser Deus, dizendo: sou Onipotente, Onipresente. E acaso foi o destino, que o trouxe tão inesperado para mim. Ser divino, querendo ser Deus, mal sabia que para mim já era um rei.

Bebia inconformado e triste, não, estava super feliz, por fora digo. O que fê-lo chorar? Chorava por dentro, dolorido pela tragédia, tragédia que depois fiquei sabendo, a felizarda, infeliz era ela, que queria se matar se não mais o tivesse por perto. Até eu mais boba, sem ele jamais viveria.

Ele era tão viril e alegre, que vertia sentimentalismo e afins. A minha alegria então, passou por vê-lo bem mais feliz.

Os chocolates agora me faziam sentido. Enquanto quebrava os pedacinhos e levava à sua boca, a glicose que ali continha, era na mesma proporção de todo o beijo que eu queria.
E parecia que ia melhorando, ia adoçando, me senti uma boa bruxa pervertida. Cheia de más intenções, mas de bom coração, afinal queria só ajudar.

E dalí se afastou de mim, e de toda proibição, então eu puxei de novo, sua atenção. Fomos conversar um pouco mais prá lá, e de passinho em passinho, ficamos longe dos demais.

Ali, naqueles momentos, rolava afeição, rolava afinidade esperada. Rolava as pedras do destino, do tabuleiro ouija. E o universo se postou à mim, e rainha eu fui por um momento. Estava com o rei aos meus pés. Ele se ajoelhou e pediu para ficar comigo, para que eu o levasse para bem longe dalí. O meu coração partiu-se ao meio. Uma lágrima rolou, ele me abraçou. O  cheiro do corpo dele fazia perfume em mim. Foi um momento mágico, desses que um dia sonhei.

O que o álcool não faz? Fez de mim uma princesa loira, linda e encantada, e à ele o que sempre foi: meu doce bêbado, julgo: mais um príncipe encantado.

Em navalhas senti meu coração se dilacerar, queria fugir com ele de lá, e nunca mais voltar.

Como é injusta a consciência num momento desses. Poderia aproveitar um bocado, poderia tê-lo beijado.

Mas ele me abraçou primeiro. Disse que sentiu uma luz em mim. Chorou quando assim o fez, e eu de novo o abracei. Pode ter sido alguns minutos, mas para mim foi a vida inteira.

Então houve a despedida depois da longa conversa. Ele me abraçou novamente e se despediu com um beijo, assim como cinderela, deixei sapatinho de lembrança.
Passada a bebedeira, com certeza me esqueceria, então troquei seu cigarro pelo meu cartão. Escrito estava nele: Mau, Mau você foi tão especial! Assim como todos dizem, quando se despedem de mim. Ele então, fez juras de amor e me prometeu ligar. Não esperei nada, o que podia eu esperar?

Voltei feliz para meu castelo, cantando dentro da carruagem, como não lembrar do príncipe encantado?

Ring, ring então às seis ele me ligou, dizendo feliz que havia chegado. Mais grata eu fui! Mais abençoada, eu sou. Por tê-lo ajudado, por ter parado, naquele posto abençoado.

Deu quatro, mas não deu meio-dia. O horário que como prometido ficou de me ligar. E o telefone tocou e cada vez mais que me empolgava, mas rimando eu estava.

E o dia foi bom sim senhor!

As três, ele disse: “estou indo te ver”. Meu coração já não se continha. Enfim, depois de uma hora, ele chegou! Abraço de amigos, beijinho, beijinho.

Estava lindo (sobriamente lindo), de óculos que escondia as janelas (aquelas da alma) e de calça jeans, fazia juz ao justo.

Ele queria um lugar reservado, mas a sua delicadeza escondia bem as intenções, então compramos tortinhas de limão. Chantilly ele gosta e de beijo, eu então?

Não pude beijá-lo como desejei, mas pude ficar o tempo que quis.

Nas minhas terras, conheceu meu escudeiro de plantão. Ele nem ao menos o fitou. Entrou e andou pelo meu jardim, sentou na minha poltrona, descansou todo o seu reinado. Contou histórias fantasiosas, contou histórias da carochinha, e eu delirando, contei umas da minha vida.

E de momentos como esse, que formam minhas relíquias, meus tesouros que outros não tem.
Foi bom, como foi bom aquele dia, que para mim durou mais do que horas, foram noites lindas com céu estrelado. Foi um encontro de dois mundos, dois seres celestiais.

Enquanto ele me abraçava eu o cobria. Achou muita a minha carência, tirei mais algumas lasquinhas.

Mas o que ele não achou foi o que a vidente falou, que iria se apaixonar por uma mulher mais velha, que pasmem, não estou aqui eu?

Meu aniversário, foi na terça passada. Tantos telefonemas, e ele quem eu queria, não ligou.

Penso que seria maravilhoso podermos nos encontrar de novo, disse outro dia,é eu tive que ligar, por sinal ele adorou. Mas disse que de mim gostou, assim como pessoa. E se mentira há nessa verdade, sua delicadeza, arma de sua popularidade, novamente me enrolou. “Quem sabe algum dia poderiamos tirar umas fotos? Eu te levo um pouco de mel.”

E de apicultor, ainda tenho minhas dúvidas, mas de amor, já tive uma certeza: O que durou dois dias para mim, para ele acabou no fim da bebedeira.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A decepção é uma droga e não queira bebê-la. É o vício dos esperançosos e dos apaixonados.